quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Encantador de Palavras

Sou encantador de palavras.
Lavro-as livres,
Leves como levo a vida,
Envolvidas em vazio e flores.
Palavras soltas no ar
Como a brisa à beira-mar.
Não as prendo aos limites dos livros.
São lindas lidas na lida
Do exercício dos amores.
(Para dizer que amo,
Picho-as nos muros,
Lanço-as na Net
Deito-as na rede e as amo).
Deleito-me no delito de amar sem a marca da culpa
A me atazanar.
Sou encantador de palavras
E mesmo quando a vida me divide,
Me divirto desvirtuando os sentidos
De tudo o que pareça claro
E declaro-me antagônico de tudo que seja óbvio.
O amor não é óbvio, por isso amo e não reclamo.

Marcos Alderico
03/02/201

O SONHO

O sonho
É uma força inconsciente
Um poder oculto
E uma maldição, as vezes
É o que move
O que mata
E o que cura

Sonhos
Podem te levar pra longe dos seus
Pra perto de Deus
Pode te dar asas
Mas também quebra-las

Sonhos
São maiores que a dor causada
Que o amor revelado
Que a morte destinada
Melhor que a vida
Esta em cada célula viva no ar
Esta além de nós
Além de nossas forças

Sonhos
São Sonhos
São alegrias conquistadas
Nossas facas afiadas
Noites de sono perdidas
Passos na escuridão
Uma doce incensatez

O sonho
É a força de se lançar
É a vontade ensandecida de ser
O desespero de se tornar
A chama que queima a alma
O que alimenta o espírito

O sonho
É a chave e a porta
A estrada e o perder-se

Eziquiel C. Cavalheiro

quinta-feira, 17 de junho de 2010

MULHER DE ALMA CIGANA

“Um passaro que não quer ser aprisionado...
Assim é minha alma...
Que pousa aonde encontra alento e amor...
Mas que precisa estar livre para voar se assim desejar...
Sou fiél aos meus sentimentos e não aceito que me prove...
Quando amo...sinto a intensidade do amor percorrer cada célula de meu corpo...
Minha alma que de tão transparente e tão lúcida suscita de paixão...
Sou menina...sou mulher...
Danço para esquecer as marcas em meu coração...
Se rodopio entre véus e moedas esqueço a ingratidão deste mundo e
me entrego a magia que encanta minha alma e repousa meu espírito...
Quero tão pouco dessa vida...
Quero uma fogueira para dançar em volta...
Lençóis macios para amar...
Quero a lua e as estrela como testemunha do meu amor...
Quero a brisa da madrugada e nada mais encobrindo meu corpo que dança...
E quando os primeiros raios do sol nascer...ainda quero preso entre meus dedos uma taça de vinho seco...
Lanço a sorte a todos e como recompensa recebo-a de volta...
Assim é minha "Alma cigana"
ME IDENTIFICO COM ESTE TEXTO

"Quando pediram que revelasse seus segredos de beleza: Para ter lábios atraentes, diga palavras doces; para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas; para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos; para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia; para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho; pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas;lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo; a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside!" (Audrey Hepburn)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sou como a FÊNIX


A lenda do pássaro Fênix possui origem etíope e, segundo consta, era um pássaro de grande beleza e extraordinária longevidade que, pouco antes de se aproximar da hora de sua morte, construía um ninho de flores perfumadas onde, no seu próprio calor, se queima. Logo após, renascia das suas próprias cinzas.
Seu simbolismo era o de ressurreição e imortalidade, formando um reaparecimento cíclico. A Fênix egípcia estava associada ao ciclo anual do sol e das cheias do Nilo. No dia 29 de Janeiro de 1996, uma labareda tomou conta de uma das construções mais valiosas de Veneza: a casa de ópera La Fenice, de 204 anos de idade. Centenas de pessoas viram o edifício ser consumido pelas chamas.
Por coincidência, La Fenice significa “a Fênix”, referindo-se à ave mitológica de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie!

segunda-feira, 22 de março de 2010

AFINIDADE


Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois... A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades... Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa e o afeto no exato ponto em que foi interrompido... Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo..... Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que Parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas ou tiradas pela vida.

terça-feira, 16 de março de 2010

O VERDADEIRO AMOR


Um homem de idade já bem avançada veio à Clínica onde trabalho, para fazer um curativo na mão ferida. Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe sobre qual o motivo da pressa. Ele me disse que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada lá.
Disse-me que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha um Alzheimer bastante avançado. Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria pelo fato de ele estar chegando mais tarde.
- Não, ele disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece.
Estranhando, lhe perguntei:
- Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?
Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse :
- É . Ela não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei muito bem quem é ela.
Meus olhos lacrimejaram enquanto ele saía e eu pensei:
Essa é a classe de amor que eu quero para a minha vida.
O verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico.
O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é..."